terça-feira, 23 de outubro de 2007

REITORIA DA UFRJ OCUPADA ! !

Todos à assembléia na reitoria!
Desde a última quinta-feira, há uma ocupação na reitoria da UFRJ. Motivo: o REUNI. Instituído por decreto no final de abril, ele parte da falsa premissa de que há desperdício de recursos nas universidades federais, quando na verdade o que há é uma crônica escassez destes. Sendo assim, passando por cima da autonomia universitária, são impostas metas de expansão das universidades sem um real aumento das verbas. O decreto estabelece a meta de quase duplicação do número de alunos por professor, o que vai gerar salas de aula cada vez mais cheias, e a obrigatoriedade de aprovação de pelo menos 90% de seus alunos, levando na prática à odiada aprovação automática. Estimula ainda a criação de cursos de três anos, os famosos bacharelados interdisciplinares, que formarão mão-de-obra barata com diplomas genéricos.

A reitoria da UFRJ realizou sucessivas tentativas de despistar os estudantes e atrapalhar sua organização, a começar pela mudança no dia anterior do local do Conselho Universitário que discutiria a adesão ao REUNI. Na própria sessão do CONSUNI, a reitoria utilizou seguranças e cassou o direito de fala dos representantes discentes, passando por cima do expediente e tentando aprovar o projeto sem qualquer discussão. Neste momento, os estudantes subiram no palco e tentaram inviabilizar a votação. A reitoria deu uma aula de truculência e falta de democracia, ignorando o repúdio dos mais de 600 estudantes presentes, no que foi auxiliada pelos membros da antiga gestão do DCE. A reitoria tem alardeado que aprovou a adesão ao REUNI. Nós não reconhecemos essa aprovação e exigimos que a reitoria se pronuncie publicamente declarando a invalidade da votação e que promova um congresso interno e um plebiscito para que a comunidade acadêmica possa decidir sobre a adesão ao REUNI.
Segue abaixo a programação de atividades da ocupação para os próximos dias:

Segunda-feira (22/10):
10h – Debate sobre o REUNI com o Professor Roberto Leher e grupo de estudos.
12h – Apresentação de esquetes no alojamento.
15h – Oficina de xilogravura.
18:30h – Vídeo-debate no Cine Ocupação: “A revolução não será televisionada”.
19:30h – Brigada de mobilização no alojamento + Esquete para convocação da assembléia.
22:30h – Assembléia da ocupação.
Terça-feira (23/10):
Programação ainda não definida. Consulte nosso blog: www.ufrjocupada.blogspot.com
Quarta-feira (24/10):
15h – Assembléia geral dos estudantes da UFRJ no hall da reitoria.
Quinta-feira (25/10):
9h – Ato na reitoria.

domingo, 14 de outubro de 2007




Semana da Fau acontecerá na semana que vem (segue programação em anexo) e o CAFAU organizou algumas atividades que ocorrerão em conjunto com a semana. A atividade principal é Maratona de projetos e idéias, mas além dela temos o Quintal do CAFAU e as Noites Suburbanas (alojamento!).

MARATONA DE PROJETOS E IDÉIAS DO CAFAU
A maratona começou no sábado passado com a visita ao subúrbio. Nesta visita registramos impressões através de fotos, vídeos, desenhos e memórias. A maratona discutirá estas impressões em conjunto com as discussões da semana e produzirá um
“Filme” - instalação na FAU. Esta maratona contará coma orientação do professor William Bittar na segunda feira e com a do cineasta e geógrafo Luiz Cláudio Lima.
Convidamos todos a participar da maratona, mesmo quem não foi à visita! Ela acontecerá Segunda, Terça e Quarta das 16h30 às 19h00 h.

Mas como eu saio do fundão essa hora?
Conseguimos que a universidade disponibiliza-se um ônibus as 19:00 que levará o pessoal que não for dormir no CAFAU até a praia vermelha parando no centro.

QUINTAL DO CAFAU
O quintal do cafau é um bate papo no intervalo do almoço para troca de idéias e impressões sobre o tema do subúrbio. Acontece terça, quarta e quinta.

NOITES SUBURBANAS
O CAFAU está disponibilizando alojamento pra galera. O alojamento será nas salas do cafau traga seus colchonete! Se você vem de carro tem que informar a placa pra gente passar pra segurança!

O alojamento abrirá segunda-feira, e para entreter a galera preparamos algumas atividades.Teremos mostra de vídeos, oficina do EMAU, Oficinas artísticas, papo de botequim, etc.
Participe das atividades! Traga uma grana pro rango!!
Se você se interessar em ficar no alojamento mande um e-mail para:
http://br.f539.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=cafau.ufrj@gmail.com com seu nome e DRE. Ou apenas apareça por lá!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Os Sem Terra na Universidade !

Nosso objetivo com esse texto é contestar a matéria "Invasão na universidade" publicada na revista Veja de 3 de outubro de 2007.

É de conhecimento público que a revista Veja tem publicado diversas matérias descaracterizando as experiências de educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. As escolas dos assentamentos de reforma agrária são públicas, mantidas por prefeituras ou pelas secretarias estaduais de educação, nas quais o Setor de Educação do MST tem participado na construção de propostas pedagógicas, que contribuam para a compreensão dos territórios dos assentamentos, a partir das realidades da agricultura camponesa.

Na matéria em questão a Veja procura descaracterizar os cursos especiais de nível superior. Por meio de convênio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA com universidades federais e estaduais, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG, entre outros movimentos camponeses têm participado como parceiros na realização de cursos de Pedagogia, Geografia, Agronomia, História, Direito etc.

A descaracterizaçã o explicíta na matéria se apóia em dois eixos argumentativos: a) as distinções entre os cursos regulares e os cursos especiais; b) os "fatos surpreendentes". Quanto às distinções, destacamos alguns pontos para mostrar os sentidos ideológicos da matéria.

1) A denominada "encenação teatral" é de fato um ato cultural que os movimentos chamam de "mística". Neste ato, os alunos se utilizam de livros de história e literatura para representar fatos da história do campesinato: lutas, conquistas, massacres, costumes, danças, etc. A mística é uma arte em que por meio da música, teatro, poesia, os alunos manifestam suas leituras das realidades representadas.

2) Na matéria há a afirmação que "as disciplinas são definidas em assembléias". Como é amplamente conhecido, os programas dos cursos são definidos pelas universidades. O que os alunos podem definir em assembléias são as escolhas por disciplinas optativas oferecidas.

3) A respeito da disciplina História dos Movimentos Sociais. Esta é uma disciplina optativa presente em quase todos os cursos. Evidente que um curso especial dirigido para um público específico, necessita ter disciplinas optativas que contribuam para a melhor compreensão de suas historias.

4) Calendário: todos os cursos oferecidos aos assentados acontecem nos meses de janeiro, fevereiro e julho, obedecendo a carga horário definida nos progamas dos cursos.

5) "Privilégios na reserva de vagas". O que a matéria denomina de privilégios nós compreedemos como direito. Esses jovens entraram nas universidades por meio de programa de políticas públicas criadas pelo Governo Federal para possibilitar o acesso desses jovens ao Ensino Superior. Considerando que os jovens do campo têm menos probabilidade de entrar na universidade, foram criadas políticas públicas específicas (denominadas de ações afirmativas) para garantir o direito desses jovens ao acesso a uma condição que seria impossível sem as políticas públicas. Portanto, eles concorrem entre eles. É o caso das políticas de cotas para negros. Essas políticas proporcionaram condições para que algumas unviersidades criassem cotas para alunos egressos de escolas públicas.

6) Che Guevara e Karl Marx. Livros desses dois pensadores estão presentes nas bibliografias de disciplinas específicas, assim como há centenas de outros autores para respectivas disciplimas. Destacar somente esses dois autores demonstra o desconhecimento das bibliografias dos programas dos cursos. Quanto aos "fatos surpreendentes" há alguns pontos que queremos comentar para uma melhor compreensão da intencionalidade da matéria.

Primeriro "fato surpreendente" é que os cursos especiais ocorrem nas melhores universidades e que oferecem diplomas reconhecidos pelo MEC. Se o "surpreendente" tivesse sentido de magnífico, admirável, não seria de se estranhar. Mas não é esse o sentido. O sentido da matéria é de espantar, assombrar, ou seja, questiona: como é que os sem-terra podem estudar nas melhores universidades?

Outro "fato" é menção a um "currículo aparentemente convencional" em que predomina o discurso anticapitalista e o ódio ao agronegócio (sic). Essas ênfases correm por conta da jornalista. Os programas dos cursos possuem bibliografias críticas que analisam as desigualdades geradas pelo modo de produção capitalista e, principalmente, pelo agronegócio que expropria milhares de famílias camponesas todos os anos em quase todos os países do mundo.

Ainda há outras ênfases da jornalista que se refere a "visões dogmáticas", "catequese marxista" e outros termos próprios da lógica da matéria, que procura descaracterizar, sem conhecer os cursos e sem apresentar evidências. Mas o que demonstra melhor o desconheicmento da jornalista é a afirmação que é o "sistema capitalista que financia os cursos especiais". Ela ignora que o financiamento é de recursos públicos a partir dos impostos e não do "sistema".

Por fim, ela fecha a matéria com um conhecido preconceito: que esses cursos representam um atraso e não contribuem para a formação de jovens numa sociedade moderna. Se a jornalista se propor a estudar de fato estes cursos e conhecer as comunidades onde esses jovens vivem, verá que estamos contribuindo para o desenvolvimento das comunidades camponesas. Isso é uma forma de atuar na sociedade moderna.

Ainda é importante informar que a jornalista telefonou para os coordenadores dos cursos especiais de Geografia da UNESP e de Pedagogia da UFMG. Ambos solicitaram que as perguntas fossem enviadas por e-mail e que as repostas fossem publicadas integralmente, sem cortes e intrepretações da jornalista. O que não foi aceito pela jornalista da Veja.

Bernardo Mançano Fernandes e Antonio Thomas Jr
Na luta sempre,
Gildo Aguiar
Secretaria Geral e Articulação Política
Escritório Nacional do MST em Brasília
secgeralbsb@ terra.com. br
61-3322-5035/ 9229-0815

domingo, 7 de outubro de 2007

Reitores reunidos na UNIRIO.

Reitores reunidos na UNIRIO: cheiro de acordão no ar.
Entre os dias 08 e 11 de outubro, a UNIRIO sediará um fórum de reitores deuniversidades federais. Pauta? O REUNI, apelido carinhoso do Programa de Apoio aPlanos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, mostrengo criadopor decreto pelo governo federal no final de abril deste ano. Desde que a adesãoao decreto começou a ser discutida em algumas universidades ainda no primeirosemestre, a polêmica se instaurou na comunidade universitária. A cada dia,cresce a resistência ao REUNI dentro das IFES entre estudantes, professores etécnico-administrativos.
Tamanha resistência à adesão ao decreto do governo federal tem plenarazão de ser: em linhas gerais, o que o REUNI propõe é a quase duplicação donúmero de vagas hoje existentes nas universidades federais sem recursosorçamentários extras. Isso porque o decreto parte do princípio de que as IFESdevem otimizar os recursos já existentes, como se desperdício houvesse. Naverdade, o que ocorre é que os sucessivos governos vêm há anos cortando verbada educação, o que faz com que os recursos hoje recebidos sejam insuficientesaté para pagar as contas de luz e água. O decreto traz ainda em suas diretrizesa meta de implementação da aprovação automática nas universidades, além dacriação de cursos genéricos de curta duração que servirão para formar maisgente em coisa alguma.
A comunidade de diversas IFES pelo país inteiro tem demonstrado claramenteque será mais difícil aprovar o REUNI do que poderia parecer ao governo federalnum primeiro momento. É isso o que acontece hoje na UFRJ, na UFF, na UFJF, naUFMG, na UNIR e em muitas outras instituições públicas de ensino país afora. Amensagem é clara: se os dirigentes das universidades insistirem na adesão aodecreto, a possibilidade de uma enxurrada de ocupações de reitorias nestesegundo semestre é bem grande. Percebendo esse fato, o governo federal tentacontornar a situação: recentemente, ampliou o prazo para a adesão ao REUNI (jánão é a primeira vez que isso acontece) de 25 para 29 de outubro. Isso para orecebimento de recursos no primeiro semestre de 2008. O prazo final mesmo paraadesão ao programa agora é 17 de dezembro e os recursos disponibilizados para oorçamento do REUNI foram aumentados em R$ 255 milhões. Considerando que existemhoje 52 universidades federais no país, cada uma contaria com a "fortuna"adicional de cerca de R$ 5 milhões para promover o "espetáculo do crescimento"desejado pelo governo.
Nesse contexto, esse fórum de reitores cheira a acordão para descobrir amelhor maneira de aprovar o REUNI. Tudo bem. O Comitê Estadual de Luta Contra aReforma Universitária do Rio de Janeiro se fará presente através de mais um atocontra o REUNI, a ser realizado no dia 09 de outubro a partir das 9h na UNIRIO.A semana da reunião dos reitores será uma semana nacional de mobilização contrao decreto do governo. Governo Lula e reitorias que se cuidem!